Ir para o conteúdo
    <li class="asset_articles"><a href="/search/assets?asset=articles"><span class="icon-menu-articles"></span><strong>Artigos</strong></a></li> <li class="asset_people"><a href="/search/assets?asset=people"><span class="icon-menu-people"></span><strong>Pessoas</strong></a></li> <li class="asset_products"><a href="/search/assets?asset=products"><span class="icon-menu-product"></span><strong>Produtos</strong></a></li> <li class="asset_enterprises"><a href="/search/assets?asset=enterprises"><span class="icon-menu-enterprise"></span><strong>Cooperativas</strong></a></li> <li class="asset_communities"><a href="/search/assets?asset=communities"><span class="icon-menu-community"></span><strong>Comunidades</strong></a></li> <li class="asset_events"><a href="/search/assets?asset=events"><span class="icon-event"></span><strong>Eventos</strong></a></li>
ou

Thin logo

Artigos Cooperativistas

Tela cheia Sugerir um artigo
 Feed RSS

Artigos

31 de Janeiro de 2013, 0:00 , por Desconhecido - | 1 pessoa seguindo este artigo.

Novo ano: oportunidades do cooperativismo financeiro em cenário econômico adverso

3 de Março de 2015, 16:39, por André Felipe - 0sem comentários ainda

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinqueta. O que ela quer da gente é coragem” (Guimarães Rosa)

 

Parece haver um grande consenso de que em 2015 teremos de nos reposicionar como Governo, cidadãos e empreendedores. E os ajustes – para assegurar a travessia - serão bastante sensíveis do ponto de vista financeiro, concentrados na máxima do “gastar menos e melhor”, já que a economia parece não dar sinais de grande vitalidade.

 

E como esse cenário repercutirá no mercado bancário e, em particular, no cooperativismo financeiro?

 

Por conta das expectativas nada animadoras sobre nível da atividade econômica e do já elevado grau de comprometimento da renda dos brasileiros com o pagamento de dívidas há pouco contraídas, é improvável que o sistema financeiro convencional sinta-se à vontade para seguir emprestando com o apetite de outros tempos, especialmente para financiar o consumo. Isso inclui até mesmo os bancos oficiais, uma vez que o Tesouro já não tem o mesmo fôlego para bancar as necessidades de capital dessas instituições.

 

E tem mais: porquanto também se prognostica a descontinuidade dos reajustes reais nos salários (a prioridade será manter o emprego), combinada com novas demissões, notadamente na indústria, aumenta a preocupação com a inadimplência. Crescendo as impontualidades nos resgates das obrigações junto ao sistema financeiro, acentuam-se as provisões, o que, por sua vez, diminui a disponibilidade de capital para novos empréstimos.

 

Para o cooperativismo financeiro, sem que se despreze a cautela requerida em tais circunstâncias, o fato de a concorrência retrair-se no crédito gera uma grande oportunidade. Como as cooperativas conhecem melhor o seu associado do que o banco a seu cliente, devem aproveitar essa proximidade e antecipar-se aos concorrentes na busca do bom tomador. É inegável que a agilidade – para atender a uma necessidade, muitas vezes emergente, do associado – fará aumentar o sentimento de gratidão e de pertencimento do cooperado, além de impulsionar a migração de seus negócios complementares (mantidos, não raro, em instituição convencional) para dentro da cooperativa. Essa atmosfera, ademais, aponta para a possibilidade de atração de novos cooperados, diante de sua insatisfação como clientes de bancos...

 

Consulta a períodos recentes de semelhante adversidade ou incerteza, tanto no ambiente doméstico como externo (vide, por exemplo, 2008/2009), revela que as cooperativas deram saltos mais representativos em sua expansão justamente nesses momentos, afirmando, assim, um de seus grandes diferenciais, que é o compromisso permanente com o cooperado e a sua comunidade. Essa fidelidade, como já se disse, reproduz-se no comprometimento (fidelidade recíproca) do cooperado com a sua própria instituição financeira.

 

A conjuntura também sugere uma oferta mais intensiva do portfólio de produtos e serviços fora da intermediação financeira. Com efeito, a prudência adicional que se impõe em relação ao crédito (pelo alto risco envolvido) há de impulsionar a exploração das inúmeras alternativas de negócios já disponíveis – e ainda muito pouco ativadas – no meio cooperativo, como seguros, cartões, consórcios, previdência privada, cobrança, convênios e adquirência (de cartões), soluções essas de elevado potencial de rentabilidade e irrelevante consumo de capital (pelo risco irrisório). Neste particular, aliás, as cooperativas enfrentarão o apetite voraz dos bancos de varejo, que se tornarão ainda mais agressivos na busca de receitas novas para recompor a redução dos ganhos com o crédito.

 

Por fim, o cooperativismo deverá também “entrar no clima” que identifica – e desafia - os novos tempos da nação como um todo. Daí que, de um lado, rever seus modelos organizacionais de modo a, por exemplo, aproveitar adequadamente as estruturas de segundo e terceiro níveis sistêmicos (gastando menos e melhor), e avançar nos processos de aglutinações/incorporações (tanto para economizar como para ampliar os limites operacionais de forma a atender a demandas de crédito mais expressivas), e, de outro, repensar o padrão de seus investimentos, otimizando-os, serão movimentos cuja eficiência fortalecerá o setor e alavancará a sua presença no mercado financeiro.

 

  Clique aqui e saiba mais sobre o autor deste artigo: Ênio Meinen



Autonomia cooperativa x ambiente sistêmico: antagonismo!?

23 de Fevereiro de 2015, 14:31, por André Felipe - 0sem comentários ainda

“A interdependência é o paradigma de nós! Nós podemos fazer isso. Nós podemos cooperar. Nós vamos unir nossos talentos e habilidades para juntos criarmos algo maior”. (Sthefen R. Covey)

 

A autonomia das instituições financeiras cooperativas singulares, traduzida pela liberdade de fazer escolhas, tanto no campo político-societário como na seara operacional, deve ser vista como um verdadeiro axioma, uma vez que a responsabilidade principal pelo destino do empreendimento mutualista cabe aos cooperados e seus representantes imediatos. Assim, é justo que, em qualquer caso, lhes assista a prerrogativa de definir os rumos da sociedade.

 

Esse direito, com as limitações operacionais e outras desvantagens que o isolamento carrega, imagina-se absoluto quando os donos do empreendimento cooperativo resolvem seguir carreira solo.  É o caso das cooperativas ditas “solteiras”, normalmente vinculadas a empresas ou grupos econômicos instituidores, ou, ainda, daquelas que desempenham o papel de correspondentes de instituições financeiras oficiais. Contudo, não são raros, os exemplos em que as entidades “patrocinadoras”, hierarquicamente ascendentes, ditam as diretrizes de funcionamento, restringindo sobremaneira o campo de ação dos cooperados.

 

Quando a cooperativa, no entanto, vislumbrando especialmente os benefícios do ganho de escala e da racionalização de estruturas, delibera pela convivência com entidades coirmãs em regime de intercooperação sistêmica, seja em dois ou em três níveis, costumam emergir dúvidas quanto à extensão do seu poder de autodeterminação.

 

É naturalmente compreensível que haja uma sensação de perda de espaço nessa composição institucional. Afinal, embora tenha sua raiz na Lei Cooperativista, que data de 1971, esse modelo organizacional vem sendo praticado mais intensamente apenas desde a segunda metade dos anos 1990, especialmente a partir da criação das confederações e dos bancos cooperativos. Trata-se, portanto, de uma caminhada relativamente curta, percurso no qual, todavia, processos e desenhos estruturais puderam ser (e continuam sendo) aperfeiçoados para o melhor aproveitamento possível das vantagens potenciais da convivência intercooperativa.

 

Embora, aparentemente, a opção pela integração horizontal e vertical com outras cooperativas ainda sugira perda de autonomia, isso na essência não ocorre. Provavelmente, o equívoco esteja em considerar como parâmetro o grau de liberdade (supostamente) atribuído às cooperativas “solteiras”, âmbito nas quais, todavia, como já ressalvado, a “independência” muitas vezes é bastante relativizada pela presença das entidades a que economicamente submetidas.

 

Em verdade – afastando, por incompatível com o ambiente de intercooperação, a hipótese da “soberania” –, a autonomia e a independência, na perspectiva mais ampla de competitividade, ganham reforço qualitativo e quantitativo com a integração, notadamente quando as práticas sistêmicas respeitam o protagonismo de suas partes na construção das soluções de interesse do conjunto. Da mesma forma, o apoio corporativo não prejudica, mas estimula as estratégias de relacionamento de cada entidade singular com os seus associados e comunidade, âmbito no qual reside a essência da cooperação e a efetiva independência.

 

Quando a cooperativa, livremente, escolhe o caminho da intercooperação, dando vida ao 6º princípio universal do movimento associativista, agrega à sua “estrutura” áreas de atividades que são comuns a todas  as entidades que fazem parte do arranjo societário-sistêmico, e que devem estar voltadas para melhorar a sua atuação junto aos associados. Em outras palavras, as centrais, as confederações, os bancos e as demais empresas/entidades especializadas devem ser reputados como extensão das unidades (de origem) que lhes dão vida, compondo nestas uma espécie de “departamento intercooperativo”.

 

Daí que é fundamental, de um lado, a percepção dos administradores das entidades corporativas sobre o papel que estas organizações têm de exercer (no interesse das entidades de base e de seus cooperados) e sobre a importância de envolver tempestiva e qualificadamente na construção e no debate dos projetos os representantes dos destinatários finais das soluções. De outro, a cooperativa não pode considerar as estruturas comuns como iniciativas dela desconectadas, vendo-os como “terceiros”, mas tê-las como componentes de seu próprio formato organizacional e sobre elas exercer comando. E nessa perspectiva, pena de (aí sim) aumentar os seus custos – fonte usual das discórdias intrassistêmicas -, as beneficiárias das atividades comuns devem desfazer-se na mesma medida dos respectivos componentes organizacionais locais/paralelos, exigindo em contrapartida eficiência e eficácia das soluções compartilhadas. A propósito, o verdadeiro poder não está em fazer, mas em mandar fazer!

 

Em tal contexto, no qual a confiança é valor-chave, as bases formais devem guiar-se muito mais pelos vínculos estatutários, baseados na autorregulação, do que pelos imperativos mercantis, normalmente arbitrados no contato frio entre estranhos ou opostos. Assimilado esse conceito, e posto em execução, tanto do lado da noção de pertencimento (cooperativa em relação às demais entidades) quanto da sensibilidade para servir (estruturas corporativas diante de cada uma das partes), esvaziam-se os pontos de real ou potencial conflito e descontentamento.

 

Ao final da equação, olhando-se sempre o todo e não, isoladamente, esta ou aquela iniciativa, é certo que cada uma das partes terá um resultado melhor por fazer parte do arranjo intercooperativo (só assim a verticalização tem sentido!). Por outro lado, da mesma forma como os associados elegem regras de convivência no âmbito da cooperativa singular, às quais se subordinam no momento seguinte (exemplo: os dispositivos estatutários e as deliberações assembleares vinculam a todos, mesmo os discordantes), também as cooperativas singulares (e centrais, conforme o caso), nas instâncias correspondentes, tomam decisões de abrangência coletiva cujo cumprimento pelas partes é imprescindível para a harmonia do grupo e a própria sustentabilidade do sistema associado.

 

Por vezes, sempre respeitada a transparência na condução dos debates e permitido o amplo direito de argumentação a todos os interessados, a deliberação não é unânime, situações nas quais há que se aceitar a preferência da maioria (exatamente como acontece na cooperativa singular, em conformidade com o princípio universal da “Gestão Democrática”).

 

Obviamente que a zona de não-convergência será tanto menor quanto mais fiéis aos interesses dos sócios forem as iniciativas propostas nos fóruns sistêmicos. Impõe-se, por conseguinte, especial atenção às particularidades regionais e às características dos diferentes grupos associativos envolvidos. Ou seja, a “singularidade” cooperativa, que nada tem a ver com “individualismo” (postura anticooperativa), há de ser respeitada em sua máxima dimensão. Daí que é fundamental estejam os administradores corporativos e suas equipes familiarizados com a realidade e as necessidades da base. Para tanto, o diálogo constante com os representantes das cooperativas (o que na literatura se designa “circulabilidade”) é uma forma de “encurtar o percurso” e evitar desgastes. Em outras palavras, escutar, permanentemente, o que os diversos atores têm a dizer ou propor é da essência do convívio sistêmico.  Não se pode, jamais, subjugar a capacidade de inovação ou tolher o entusiasmo criativo dos dirigentes ou executivos das partes. Isso seria letal!

 

É claro que nem todas as ideias são exequíveis ou viáveis, casos para os quais os responsáveis pela “pauta corporativa” têm de externar evidências inequívocas a desaconselharem o seu prosseguimento, mesmo que momentâneo, inclusive apontando eventuais razões de ordem legal ou regulamentar quando for a hipótese. Não basta a simples alegação de que “tecnicamente não dá” (sem declinar os fundamentos); que “o mercado anda no sentido contrário”; que a demanda é operacionalmente muito complexa; que é inviável do ponto de vista econômico-financeiro (sem demonstrá-lo), e assim por diante...

 

Entretanto, se os argumentos técnicos, contrários à proposta, forem comprovadamente plausíveis, é de se esperar que o proponente ou demandante se sensibilizem. De igual forma, é nocivo ao convívio sistêmico deduzir divergências em fóruns públicos (não cooperativos), sobretudo as já apreciadas internamente, ou submetê-las a julgamento de terceiros. Ainda, os requerimentos levados a debate por qualquer dos membros devem visar ao bem, pena de a invocada “autonomia” ou a pretensa “singularidade” servirem como veículo para lograr resultados incompatíveis com os objetivos institucionais ou antagônicos ao espírito cooperativo. Por sinal, a “desobstrução de caminho”, para facilitar o não-certo, é (tem sido) algo tentador para o abandono sistêmico...

 

Um enlace sistêmico duradouro não admite verdades absolutas ou conclusões imutáveis e nem tolera injunções ou ordens (de “cima para baixo” ou de “baixo para cima”). Nessa atmosfera, o segredo é compartilhar ideias e propostas, submetendo-as, sem reservas, ao processo dialético. E as soluções que decorrem dessa construção, justamente pelo seu caráter de não-perpetuidade, exigem também constante revisitação, para que possam ser trazidas para a realidade de tempo em tempo.

 

A proposito, no complexo e sensível campo da coabitação organizacional há atitudes – algumas delas já anteriormente reportadas – que se destacam como autênticas virtudes sistêmicas, determinantes para a preservação do “matrimônio” intercooperativo. São elas:

 

1) somar em vez de dividir;

2) escutar as partes e com elas dialogar, e não, simplesmente, lhes infligir pontos de vista;

3) compreender que, ao lado dos benefícios individuais, há as obrigações coletivas;

4) ceder diante do interesse geral (o todo é mais importante que o particular);

5) participar dos fóruns em que se discutem os assuntos de interesse comum;

6) assumir as responsabilidades e não (tentar) transferi-las;

7) honrar as deliberações do conjunto, ainda que o desfecho seja particularmente adverso;

8) agir prontamente, adotando ou cobrando medidas corretivas, quando alguma parte desalinhar-se das orientações corporativas;

9) confiar nas pessoas e nas entidades; 

10) compartilhar ao máximo as estruturas e as atividades comuns às partes.

 

A falta de qualquer desses atributos potencializa a infidelidade e torna a coalizão improvável!

 

Em síntese, a participação em sistema cooperativo, para que surta os efeitos almejados pelos membros e seja sustentável, requer compromissos e ações que conciliem direitos e obrigações entre as partes. Na versão de Alphonse Desjardins (pioneiro do cooperativismo financeiro nas Américas), deve-se propugnar pelo “equilíbrio entre a integração e a autonomia”. Só assim pode-se, colher e preservar, individualmente, as prerrogativas da integração horizontal e vertical, medidas pelo acréscimo de eficiência operacional e pela maior visibilidade de mercado, resultantes da combinação entre ganho de escala, redução de custos (especialmente pelo compartilhamento de atividades de apoio ou complementares ao negócio e otimização de investimentos), expertise profissional, portfólio diversificado e qualificado, rede ampliada, tecnologia de ponta e marca forte.

E é nisso tudo que se revela, de fato, o trinômio liberdade, autonomia e independência da cooperativa singular. Com efeito, dispondo de portfólio amplo e de qualidade – impulsionador de receitas -, e (re)alocando eficazmente as atividades de retaguarda nas organizações de segundo e, sempre que possível, terceiro níveis – movimento redutor de despesas, contanto que  simultaneamente desfeitas  as  estruturas  individuais -, as entidades de base têm “argumentos”, pessoas e tempo generosos para fazer relacionamento, conhecer melhor os associados, com eles intensificar negócios e atrair novos membros.

 

Vale ressaltar que o grau de liberdade de cada cooperativa está na razão direta do nível de dominância que exerce sobre o mercado local e o seu público de interesse, o que lhe permite identificar particularidades e oportunidades e definir estratégias voltadas aos atuais e futuros cooperados. O vínculo sistêmico, reitere-se, não interfere adversamente nesse relacionamento. Pelo contrário, vem em apoio à aproximação.

 

Respondendo, portanto, à indagação objeto do tema-título deste artigo: a intercooperação  assentada em processos adequadamente dimensionados à participação e a responsabilidade de todos e sensíveis às singularidades, muito antes de ferir a autonomia das partes, impulsiona-a e garante a verdadeira independência do empreendimento cooperativo. Cada vez mais improvável, aliás, a competitividade – ou mesmo a sobrevivência –, senão pela reunião de forças, motivo pelo qual os arranjos legais e regulamentares (v.g., Lei Complementar 130/09, começando pelo seu preâmbulo) tão explicitamente vêm endereçando incentivos em tal sentido.

 

Na aplicação da fórmula genuinamente sistêmica, lembrando da conhecida máxima aristotélico-matemática, não há dúvida que “o todo é maior que a simples soma das suas partes”.

 

 Clique aqui e saiba mais sobre o autor deste artigo: Ênio Meinen



Oportunidades cooperativismo financeiro Ênio Meinen

12 de Janeiro de 2015, 8:08, por Cergio Tecchio - 0sem comentários ainda

Novo ano: oportunidades do cooperativismo financeiro em cenário econômico adverso, por Ênio Meinen

  

“A vida é assim: esquenta e esfria, 

aperta e daí afrouxa, sossega e depois 

desinqueta. O que ela quer da gente 

é coragem” (Guimarães Rosa)

 

Parece haver um grande consenso de que em 2015 teremos de nos reposicionar como Governo, cidadãos e empreendedores. E os ajustes – para assegurar a travessia – serão bastante sensíveis do ponto de vista financeiro, concentrados na máxima do “gastar menos e melhor”, já que a economia parece não dar sinais de grande vitalidade.

 

E como esse cenário repercutirá no mercado bancário e, em particular, no cooperativismo financeiro?

 

Por conta das expectativas nada animadoras sobre nível da atividade econômica e do já elevado grau de comprometimento da renda dos brasileiros com o pagamento de dívidas há pouco contraídas, é improvável que o sistema financeiro convencional sinta-se à vontade para seguir emprestando com o apetite de outros tempos, especialmente para financiar o consumo. Isso inclui até mesmo os bancos oficiais, uma vez que o Tesouro já não tem o mesmo fôlego para bancar as necessidades de capital dessas instituições.

 

E tem mais: porquanto também se prognostica a descontinuidade dos reajustes reais nos salários (a prioridade será manter o emprego), combinada com novas demissões, notadamente na indústria, aumenta a preocupação com a inadimplência. Crescendo as impontualidades nos resgates das obrigações junto ao sistema financeiro, acentuam-se as provisões, o que, por sua vez, diminui a disponibilidade de capital para novos empréstimos.

 

Para o cooperativismo financeiro, sem que se despreze a cautela requerida em tais circunstâncias, o fato de a concorrência retrair-se no crédito gera uma grande oportunidade. Como as cooperativas conhecem melhor o seu associado do que o banco a seu cliente, devem aproveitar essa proximidade e antecipar-se aos concorrentes na busca do bom tomador. É inegável que a agilidade – para atender a uma necessidade, muitas vezes emergente, do associado – fará aumentar o sentimento de gratidão e de pertencimento do cooperado, além de impulsionar a migração de seus negócios complementares (mantidos, não raro, em instituição convencional) para dentro da cooperativa. Essa atmosfera, ademais, aponta para a possibilidade de atração de novos cooperados, diante de sua insatisfação como clientes de bancos…

 

Consulta a períodos recentes de semelhante adversidade ou incerteza, tanto no ambiente doméstico como externo (vide, por exemplo, 2008/2009), revela que as cooperativas deram saltos mais representativos em sua expansão justamente nesses momentos, afirmando, assim, um de seus grandes diferenciais, que é o compromisso permanente com o cooperado e a sua comunidade. Essa fidelidade, como já se disse, reproduz-se no comprometimento (fidelidade recíproca) do cooperado com a sua própria instituição financeira.

 

A conjuntura também sugere uma oferta mais intensiva do portfólio de produtos e serviços fora da intermediação financeira. Com efeito, a prudência adicional que se impõe em relação ao crédito (pelo alto risco envolvido) há de impulsionar a exploração das inúmeras alternativas de negócios já disponíveis – e ainda muito pouco ativadas – no meio cooperativo, como seguros, cartões, consórcios, previdência privada, cobrança, convênios e adquirência (de cartões), soluções essas de elevado potencial de rentabilidade e irrelevante consumo de capital (pelo risco irrisório).  Neste particular, aliás, as cooperativas enfrentarão o apetite voraz dos bancos de varejo, que se tornarão ainda mais agressivos na busca de receitas novas para recompor a redução dos ganhos com o crédito.

 

Por fim, o cooperativismo deverá também “entrar no clima” que identifica – e desafia – os novos tempos da nação como um todo. Daí que, de um lado, rever seus modelos organizacionais de modo a, por exemplo, aproveitar adequadamente as estruturas de segundo e terceiro níveis sistêmicos (gastando menos e melhor), e avançar nos processos de aglutinações/incorporações (tanto para economizar como para ampliar os limites operacionais de forma a atender a demandas de crédito mais expressivas), e, de outro, repensar o padrão de seus investimentos, otimizando-os, serão movimentos cuja eficiência fortalecerá o setor e alavancará a sua presença no mercado financeiro.

 

 ———

 

Clique aqui e saiba mais sobre o autor deste artigo: Ênio Meinen